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| EU EXISTO |
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| Tic tac |
| Sexta-Feira, dia 12 de Março de 2010 |
Sobreviveu ao nó na garganta. A cirurgia foi longa, dolorosa e complicada. Mas bem sucedida. Sobreviveu a noites sem conseguir respirar, noites sem conseguir beber mais, noites de fumo interminável. A noites sem dormir e dias sem acordar. Sobreviveu a desgostos de amor, a mágoas intermináveis. Desde que aquela farpa lhe trespassou o coração que sangra, gota após gota, tic tac, sem cessar. Sabe que desta não escapa, por isso sobrevive. Nunca tentou desalojar de uma vez o estranho corpo alojado no seu frágil aparelho cardíaco. Ouviu uma voz no seu interior dizendo que se o fizesse ficaria rapidamente a nadar numa piscina de sangue. Que lhe secariam as lágrimas e acabaria deitado numa poça de líquido precioso, bombeado por entre a ferida aberta deixada pela farpa que sente, tic tac, a sugar-lhe a vida. |
| Introduzido às: 07:46 |
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