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| EU EXISTO |
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| Crónica de uma passagem pelo café |
| Quarta-Feira, dia 14 de Março de 2007 |
A meio de uma angelica e de uma conversa com um vizinho meu, em pleno café, voltou a acontecer. Aceleração do ritmo cardíaco, depois calor, dificuldade na respiração e finalmente, aquela doce dormência em que as pessoas que estão a falar connosco parecem a quilómetros de distância. A última coisa que ouvi é que daqui a cinco anos estou no ponto. Isto porque a conversa estava a ser bastante interessante e era-me apresentada a oportunidade de publicarem alguma coisa minha numa revista de edição anual. Certo é que fui abaixo. Terá sido pelo teor da conversa, onde era apontado como forte esperança para o futuro? Nunca lidei muito bem com a pressão, mas daí até me fraquejarem os sentidos... Da outra vez chamaram-no "ataque de ansiedade" e a causa estava definida: males de amor. Desta, prefiro não lhe atribuir um nome nem apontar um principal suspeito. E como a minha personalidade manda, óbvio que também não pretendo tomar qualquer tipo de precaução em relação a estes episódios. Só se voltar a repetir o que senti ao chegar a casa, depois deste incidente. A escassos metros de alcançar as escadas que dão acesso à porta da cozinha, o meu coração parou. Parou e aproveitou para tirar um segundo de folga e dar um passeio. Descolou do meu peito e caiu redondinho em cima do estômago, usando-o qual trampolim para voltar ao seu posto de trabalho. Isto pode até parecer engraçado, contado assim, mas na altura ocorreram-me várias promessas de modos de vida saudáveis. Interrompi a marcha por algum tempo, olhei para o céu e podia até ter tido uma conversa a sós com o Criador, mas passo a vida a dizer que não acredito nele e seria deveras embaraçoso apanharem-me ali a falar com as estrelas. Pagaria a factura a bebida, para não variar, mas ainda assim restava algum troco para a loucura. Depois disto tudo, e depois de uma banhoca, dos pijamas vestidos e enquanto lia um dos livros que pertencera ao meu avô, que a minha avó fez questão de me oferecer, ela ligou. Não sei se era ela, a voz era irreconhecível. A princípio pareceu-me um puto de 12 ou 13 anos, mas o "mê filhe" na despedida anunciou-me ser ela. Mas é melhor desligar deste assunto. Justamente porque instantes antes do "daqui a cinco anos estás no ponto" ouvi um "tens de aprender que o mundo não gira à volta das gajas". |
| Introduzido às: 21:37 |
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