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          EU EXISTO
  Incógnita
Sábado, dia 19 de Agosto de 2006

Num caderno meu dos tempos da Profissional tinha escrito, entre muitos outros disparates, que o Homem se divide em duas partes: células e alma. Para falar sobre células tinha que de presenteá-los com rigor, dados concretos e termos técnicos. Deixai o gajo falar sobre a alma que pode divagar, inventar e reinventá-la. Não há qualquer problema, nunca poderão pô-la num pedaço de papel. À semelhança de Deus, que encontrou o seu espaço nas Bíblias dos crentes, a alma vagueia pelas toneladas de papel, em formato de livro ou rascunho, que os poetas vão transcrevendo. Dantes perdia horas a filosofar, a entreter-me com os porquês e os talvez, sendo o meu raciocínio um caos. Podem ter a certeza que causa uma certa frustração andar anos no mesmo labirinto e saber que fomos resgatados, porque a saída era tão óbvia que se paraliza perante tal evidência. Isto não era para ser sobre alma? Não sei porquê, adoro disfrutar desta liberdade de ir divagando e martelando no teclado, marcando o meu ritmo e a direcção. Embora desconheça de todo o formato final deste texto, não receio a sua receptividade por parte de quem eventualmente o ler, nem me importa muito o facto de ainda não ter parado para o reler. Deve ser algo semelhante ao que queria descrever. A alma não obedece a regras, é inegável a sua existência, embora nada se saiba acerca dela. Oxalá continue assim, que os cientistas nunca a expliquem como fazem com as células. Eu fiz a minha parte. Com este mirabolante texto, nem de raspão lhe toquei e o seu conhecimento sobre a alma ficou na mesma. Tal e qual como deve ser. Uma incógnita.
Introduzido às: 05:22
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